A Bíblia

A Bíblia


Deus, para se comunicar com o ser humano, adotou linguagens que se completam mutuamente: a das palavras e a dos gestos ou acontecimentos. Além da linguagem, é necessário entender outros aspectos dessa comunicação entre Deus e o ser humano:

1) o que Deus quer comunicar;

2) a quem se dirige;

3) que obstáculos encontra.

“Deus não quis e não quer comunicar às pessoas apenas alguma verdade ou alguma lei. Ele quer comunicar a si mesmo, sua presença, seu amor”.

Deus não quer fazer isso separando as pessoas, mas unindo-as. Deus não quis “santificar e salvar as pessoas não isoladamente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse e o servisse santamente”. Mesmo quando Deus se revela através de um profeta, é sempre ao povo que se dirige; e é sempre numa ligação vital com a comunidade que a pessoa é chamada e chega à fé em Deus.

“Acolher a Palavra, aceitar Deus na própria vida, é dom da fé. Ele exige, porém, certas condições por parte do ser humano. Elas podem ser resumidas com duas palavras evangélicas: conversão e seguimento. A fé é como uma caminhada. Mais exatamente: é seguir o caminho de Jesus. O que os discípulos fizeram pelos caminhos da Galiléia e da Judéia até a Cruz, acompanhando fisicamente Jesus e comungando sempre mais de sua vida e de seu ideal, deve ser refeito hoje, em nosso meio. É o programa que nos propõem os Evangelhos. Eles foram escritos, não apenas para recordar o itinerário terreno de Jesus, mas para fazer dele o roteiro ideal da caminhada de todo discípulo. É evidente, nisso, que a fé não é só uma adesão intelectual, um conhecimento da doutrina de Jesus. Ela é uma opção de vida, uma adesão de toda a pessoa humana a Cristo, a Deus e a seu projeto para o mundo” (CR 64).

A Bíblia é uma fonte de água pura. Os/as catequistas a conhecem bem. Bebem dessa água todos os dias. É água que mata a sede de Deus. Ou melhor, aumenta a sede de justiça, de amor e de fraternidade.

A PALAVRA DE DEUS ATINGE A PESSOA. Atinge a pessoa e o coração. Requer conversão. Adesão. (Moises: Ex3, 1-15; Maria: Lc 1, 26-38; Zaqueu: Lc 19, 1-10; Samaritana: Jo 4, 7-34).

A PALAVRA DE DEUS FORMA COMUNIDADE. O convertido forma comunidade. Une-se ao povo. Compartilha.(Moisés: Ex 4, 18-31; At 2, 42-47).

A PALAVRA DE DEUS TRANSFORMA A REALIDADE. A Palavra de Deus atinge, – forma comunidade e transforma. Arranca do pecado e do comodismo. (Ex 12, 1-26; Lc 24, 13-35).

A PALAVRA DE DEUS LEVA À CONTEMPLAÇÃO. Vocês que se converteram, vão pelo mundo anunciar Jesus ressuscitado. (Mt 28, 15-20). Anunciar requer suor, esforço, renúncia, martírio.

O/A catequista precisa buscar força na Oração. O/A catequista não é um professor de textos, mas uma testemunha que se encontra com Deus e com a comunidade, através da Oração.

A PALAVRA DE DEUS DESPERTA A ESPERANÇA. O/A catequista é o peregrino da esperança. Trabalha por causa do Senhor. Constrói um mundo novo, de justiça, fraternidade, comunidade, um mundo segundo Deus.

A Catequese Renovada deve levar em conta duas realidades: de um lado existe muita gente perdendo a esperança, caindo à beira da estrada, ora por situações humanas, ora pobreza, ora desilusão da vida, ora enfraquecimento da fé. Por outro lado, muita gente vive afastada de Deus porque coloca o dinheiro, o prazer e o poder acima de Deus. É por isso que a tarefa da catequese é fazer chegar a mensagem a todos. Essa tarefa parece difícil. Talvez, o caminho melhor seja aquele de re-descobrir aquilo que Deus fez com a gente, para fazermos como Ele fez. O/A catequista tem a tarefa de ajudar as pessoas a entender a Palavra de Deus, levá-las a se converterem cada vez mais à aliança com Deus e com os irmãos; a se inserirem na comunidade de fé e assumirem, em nome de Jesus, compromissos na comunidade. A catequese renovada deve ajudar as pessoas a ligar a fé com a vida.

Toda Bíblia é a narração, sob a inspiração do Espírito Santo, das experiências concretas de um Povo à procura de Deus e da ação desse Deus, se revelando a este Povo. Por isso, a Bíblia, como principal fonte de fé, deve ser lida no contexto da vida, porém à luz da Tradição e do Magistério, que são a garantia para nós de uma correta interpretação DV 2-6; P. 372; 1001, CR 176; DNC 107.

1. A Palavra de Deus é a fonte principal da Catequese; convoca, constrói e alimenta a comunidade.

2. Ajuda a comunidade a ler sua própria vida, seus valores, sua cultura e suas situações concretas e a interpretá-las como História da Salvação.

3. Jesus Cristo é o ponto de referência que dá sentido e unifica todas as partes da Bíblia.

4. A Bíblia é o livro por excelência da comunidade. A leitura e a interpretação devem ser feitas com fidelidade ao povo.

5. É necessário um diálogo constante entre os/as catequistas e os estudiosos da Bíblia.

6. A leitura e o estudo são também, fonte de espiritualidade e de amadurecimento da fé para os catequistas.

7. A ação dos catequistas não se reduz apenas à leitura e aplicação da Bíblia à vida, mas levará também os catequizandos à celebração da Liturgia.

8. Uma Catequese bíblica formará cristãos maduros, capazes de transformar o mundo e promover os direitos humanos.

9. O povo tem fome de Deus, da Palavra. É tarefa do/a catequista promover a leitura da Bíblia, através de: encontros, estudos especiais, círculos bíblicos, grupos bíblicos em família…

10. Todo encontro de catequese é encontro com a Palavra.

Autora: Irmã Marlene Bertoldi 


 

jonas

Jonas- Rebeldia x Misericórdia


Setembro é o mês dedicado à Bíblia, fonte da catequese. Neste ano, somos convidados a refletir sobre o Livro de Jonas que nos questiona sobre a nossa relação com Deus e a compreensão da nossa missão.

O livro de Jonas é uma novela bíblica que usa a realidade colorida com a fantasia para ensinar-nos que Deus não é manipulado por mãos humanas, tampouco é exclusivo de um único povo. Composto provavelmente no final do período persa (Sec. IV), possui quatro capítulos em quarenta oito versículos e narra a história do profeta Jonas cumprindo a missão que recebeu em meio a questionamentos e preconceitos.


Mergulhando em suas páginas, encontramos:

Capítulo 1: – Jonas recebe a missão de Deus para ir a Nínive e chamá-los à conversão. Mas ele foge pegando um barco na direção contrária.

– Uma grande tempestade assusta os tripulantes do barco que são politeístas e rezam para que seus deuses acalmem a tempestade, porém Jonas permanece dormindo no interior da embarcação. O capitão lhe chama a atenção e pede que ele recorra ao seu deus, mas o profeta não o faz.

– Tiram a sorte para saber quem provocou a ira dos deuses e ela recai sobre Jonas. Questionado se identifica como hebreu temente a Deus Criador, e manda que o joguem no mar.

– Eles tentam outra alternativa, mas como o mar não abranda sua fúria, Jonas é jogado nele, que se acalma, fazendo com que os marinheiros prestem culto a Deus.

Capítulo 2: – Jonas é engolido por um grande peixe e permanece em seu ventre por três dias e três noites.

– O profeta, enfim, reza e destaca a importância do Templo.

– Deus ordena que o peixe vomite Jonas em terra firme.

Capítulo 3: – Deus manda novamente Jonas à Nínive e ele obedece.

– Diante do anúncio de Jonas, a cidade inteira se converte e, vendo isto, Deus decide não mais os castigar.

Capítulo 4: – Jonas se irrita pela cidade não ter sido castigada e Deus, através de uma mamoneira lhe ensina o que é compaixão.

Compreendendo o texto:

Jonas – representa o judeu que rejeita os outros povos, achando-se o único “merecedor” da atenção de Deus. Ele conhece a misericórdia divina, mas tem dificuldade em compreendê-la com relação aos estrangeiros. Em vez de fazer jus ao seu nome (Jonas = pomba = mansidão), é rebelde, quer ditar as regras. Não entende que Deus é inclusão, mas este o ensina, na tempestade, a ser dócil a sua vontade; na barriga do peixe, a se converter; na morte da mamoneira, a compreender a dimensão do seu amor.

Deus mostra que toda a humanidade é alvo da sua misericórdia. Ensina os seus propagadores a compreenderem sua mensagem e serem dóceis a sua vontade. Ele é quem decide o local de salvação da humanidade e não se deixa engaiolar.

Marinheiros – Expressam a diversidade de crenças, a ligação com o sagrado e a capacidade de reconhecê-lo, convertendo-se. Mostram que a bondade e a capacidade de trabalhar juntos em prol de um objetivo maior são inerentes à natureza humana.

Peixe – simboliza tempo necessário para ocorrer uma mudança: a “morte” que leva à conversão no caso de Jonas; a ressurreição no caso de Jesus.

Nínive – A cidade foi capital da Assíria, nação que destruiu Israel (Reino do Norte) em 722 a.C. Ela não existia mais quando este livro foi redigido, nele Nínive simboliza os estrangeiros que eram vistos pelos judeus como impuros e maus. Expressa a capacidade de qualquer pessoa em acolher a Palavra de Deus quando lhe é anunciada. Questiona todas as atitudes de exclusão que impedem a vida plena.

Remexendo as páginas sagradas, encontramos vários exemplos que expressam a inclusão de todos os povos no plano salvífico divino: Jesus curando estrangeiros; Pedro, na casa de Cornélio, aprende a não fazer distinção de pessoas; o evangelho é propagado por todo o mundo.


O que Jonas ensina aos catequistas hoje:

  • Buscar compreender e aceitar a missão recebida.
  • Não fazer exclusão de ninguém, nem querer escolher catequizandos “perfeitos”.
  • Estar em constante processo de conversão.
  • Ser dócil à vontade de Deus.
  • Ter consciência de que Deus não se prende a nossa vontade para agir.
  • Praticar a misericórdia divina.

Mergulhando nas páginas deste livro, você vai encontrar mais ensinamentos, aventure-se!


Catequista Miriane Priscila Paim

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