A inspiração que vem de Francisco

A inspiração que vem de Francisco


O chamado é o mesmo para todas as pessoas: viver na simplicidade, encontrar a verdadeira felicidade, estar em sintonia com o Criador e com sua criação. Poucos são aqueles que escutam o chamado, menos ainda são os que o aceitam.

São Francisco de Assis, um jovem orgulhoso, vaidoso e rico, entendeu o chamado de Deus e tornou-se um místico e peregrino, vivendo com simplicidade em plena harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. No exemplo de Francisco fica claro como são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, a participação na sociedade e a paz interior.

A escolha do nome Francisco revela ao Papa o chamado que Cristo fez a São Francisco de Assis há mais de 800 anos atrás: “Vá Francisco e restaure minha casa, olhe que ela está em ruinas”. A “casa” significa a morada de Deus, a casa comum, onde se forma comum unidade em Cristo, onde todos são filhos/as do mesmo Deus e com a mesma responsabilidade na preservação de sua criação.

A encíclica do Papa Francisco – louvado Sejas – apresenta a responsabilidade coletiva na restauração da casa de Deus, a casa da humanidade de Deus, pois “o verbo se fez carne habitou entre nós” (Jo 1,14). Ele apresenta que o mundo é muito mais que um problema, mas que é preciso viver a dimensão do ministério gozoso de habitantes da criação divina, falando a língua da fraternidade e da beleza, na alegria e no louvor da relação com a criação, assim como fez São Francisco de Assis, aproximando-se da natureza e do meio ambiente com abertura para a admiração e o encanto.

Francisco é mais que um nome, é um projeto de Igreja: pobre, simples, evangélica e destituída de todo o poder. É um projeto de uma Igreja ecológica, que chama todos os seres da terra de “irmãs e irmãos”. O cuidado com a casa comum requer mudanças profundas “nos estilos de vida, nos modelos de produção e consumo, nas estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades”.


O apelo de Francisco

O Papa pede a cada um colaborar, como instrumentos de Deus, o cuidado com a criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades, passando, do consumo aos sacrifico, da avidez à generosidade, do desperdício a capacidade de partilha. Apela para libertarmo-nos do medo, avidez e da dependência.


Fernando Anísio Batista
Sociólogo/Secretário Executivo
Ação Social Arquidiocesana – Florianópolis/SC

 

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