A violência além dos números

A violência além dos números


Todos os dias as notícias se repetem: agressões, homicídios, guerras, roubos, estupros, acidentes, etc. Sim, vivemos num tempo extremamente violento! Aos poucos essas notícias tornam-se parte do cotidiano e não existe mais estranhamento, e elas tornam-se números que caracterizam comunidades, cidades e Estados.

A Campanha da Fraternidade de 2018 convida a todos, homens e mulheres de boa vontade, a percorrer o caminho da superação da violência, que cresce em todos os níveis da sociedade.

Por trás de cada vítima há um rosto, uma pessoa que teve seus direitos arrancados pela violência. E infelizmente, os rostos se repetem e se tornam comuns, aceitáveis e incontestáveis. Novamente não há estranhamento, pois na maioria das vezes a violência tem endereço, classe social, cor, sexo e idade. São rostos de moradores de periferia, dos que sofrem violência racial e de gênero, dos que sofrem violência doméstica, das vítimas de exploração sexual. E ainda, rostos de trabalhadores rurais e povos tradicionais, das vítimas do narcotráfico, das vítimas de trânsito, entre outros.

A Igreja convida a abrir a cortina das estatísticas e encontrar o rosto de cada homem e mulher, seja quem sofre ou quem pratica a violência, acolhendo e conhecendo suas histórias e buscando superar com eles a triste e cruel realidade.

Nenhum ato de violência pode ser aceito, mas compreendido e superado para jamais ser repetido.


Fernando Anísio Batista
Sociólogo / Secretário Executivo da Ação Social Arquidiocesana