Discurso do Papa Francisco

Discurso do Papa Francisco
(Roma, 28 de setembro)


Eu gosto desta ideia do Ano da Fé, um encontro para vocês, catequistas. Eu também sou catequista! A catequese é um dos pilares para a educação da fé, e é preciso bons catequistas! Obrigado por este serviço à Igreja e na Igreja. Embora às vezes, pode ser difícil, vocês trabalham demais, vocês se envolvem e nem sempre veem os resultados desejados. O processo de educação na fé é lindo! É talvez o melhor legado que podemos deixar: a fé! Educar na fé, é importante porque você cresce. Ajudar as crianças, jovens, adultos a conhecer e a amar o Senhor mais e mais. É preciso “Ser” catequista! É vocação. Não é um trabalho que se espera algo em troca: isso não precisa! Eu trabalho como catequista, porque eu amo ensinar… Mas se você não é catequista, não é! Você não será frutífero, não pode ser frutífero! Catequista é uma vocação: “ser catequista”, esta é a vocação. Lembre-se, eu não disse “fazer” para os catequistas, mas o “ser”, pois envolve a vida. Você vai ao encontro de Cristo com suas palavras e vida, com o testemunho. Lembre-se que Bento XVI nos disse: “A Igreja não cresce por proselitismo. Ela cresce por atração”O que atrai é o testemunho. Ser catequista é dar testemunho de fé, ser coerente na sua vida. E isso, não é fácil. Nós ajudamos, nós nos dirigimos ao encontro de Cristo em palavras e vida, com o testemunho. Eu gostaria de lembrar que São Francisco de Assis disse a seus irmãos: “Pregar o Evangelho sempre e, se necessário, com as palavras.” As palavras são palavras, mas antes o testemunho. Que as pessoas possam ver em nossas vidas o Evangelho, possam ler o Evangelho. E “ser” pede catequistas que amem. O amor sempre mais forte a Cristo, e o amor ao seu povo santo. E este amor não pode ser comprado em lojas, não se  compra, aqui em Roma. Esse amor vem de Cristo! É um presente de Cristo! E se vem de Cristo, começa dele e nós devemos recomeçar a partir de Cristo, por meio do amor que Ele nos dá. O que isso significa Partir de Cristo para os catequistas, para você, para mim, que já sou um catequista? O que isso significa?

Vou falar sobre três coisas: um, dois e três, como fizeram os antigos jesuítas… um, dois, três!

  1.  Primeiro de tudo, recomeçar a partir de Cristo significa ter familiaridade com Ele.Ter essa familiaridade com Jesus: Jesus recomenda aos seus discípulos na Última Ceia, quando se começa a viver o maior dom do amor, que é o sacrifício da Cruz. Jesus usa a imagem da videira e dos ramos e diz: “Permaneçam no meu amor, fiquem ligados em mim, como um ramo está ligado à videira”. Se estivermos unidos a Ele, podemos dar frutos, e esta é a familiaridade com Cristo. Permanecer em Jesus! É permanecer atado a Ele, dentro dele, com Ele, falando com ele: mas permanecer em Jesus.”

A primeira coisa que um discípulo deve fazer, é estar com o Mestre, ouvi-lo, aprender com ele e isso é sempre, é uma jornada que dura a vida toda. Lembro-me muitas vezes que na diocese que eu tinha antes, eu via no final dos cursos muitos catequistas  que saíram dizendo: “Tenho o título de catequista”. Isso não ajuda, você não tem nada, você fez um pequeno processo! Quem vai te ajudar? Isto é verdade para sempre! Não é um título, é uma atitude. Para estar com Ele sempre e dura a vida toda! É um ficar na presença do Senhor, que Ele olha e eu pergunto: Como é a presença do Senhor? Quando você vai encontrar-se com o Senhor? Olhando para o Tabernáculo, o que você faz? Sem palavras… Mas eu digo, eu digo, eu acho, eu medito, sinto-me… muito bem! Mas você se deixa olhar pelo Senhor? Vejamos o olhar do Senhor. Ele olha para nós e esta é uma maneira de rezar. Você se deixa olhar pelo Senhor? Mas como? Olhe para o Tabernáculo, e deixe-se olhar… é simples! É um pouco “chato, e as vezes  cai-se no sono… Dormindo, dormindo! Ele vai olhar para você do mesmo jeito. Mas você tem certeza de que Ele está vendo você! E isso é muito mais importante do que o título de catequista: é parte do Ser catequista. Isso aquece o coração, mantém o fogo da amizade com o Senhor. Ele faz você sentir que realmente o olha, está perto de você e o ama. 

Em uma das visitas que eu fiz, aqui em Roma, em uma missa, aproximou-se um homem, relativamente jovem, e me disse: “Papa, prazer em conhecê-lo, mas eu não acredito em nada! Eu não tenho o dom da fé”. O que o senhor me diz? Mas ele entendeu que a fé era um presente.   Respondi: “Não desanime. Ele ama você. Deixe-se olhar por Ele! Nada mais.” E eu digo isso a vocês: olhem para o Senhor! Eu entendo que para vocês não é tão fácil, especialmente para aqueles que são casados ​​e têm filhos. É difícil encontrar um tempo para se acalmar. Mas, graças a Deus, não é necessário fazer tudo da mesma forma. Há variedade de vocações na Igreja e variedade de formas espirituais, o importante é encontrar uma forma adequada para estar com o Senhor, e isso acontece em todos os estados de vida. Neste momento, todos podem perguntar: Como posso viver este “estar” com Jesus? Esta é uma pergunta que eu deixo para vocês: “Como posso viver e estar com Jesus, este permanecer em Jesus?”. Tenho momentos em que eu vou ficar na sua presença, em silêncio, eu me deixei olhar por Ele? Ele é fogo que aquece o meu coração? Se em nossos corações há o calor de Deus, seu amor, sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, aquecer os corações dos outros? Pense sobre isso!

  1.  O segundo elemento está presente. Em segundo lugar, recomeçar de Cristo significa  imitá-lo, ir ao encontro do outro. Esta é uma bela experiência, e um pouco algo de “paradoxal”. Por quê? Porque aqueles que colocam Cristo no centro de suas vidas, estão fora do centro! Quanto mais você se junta a Jesus, Ele se torna o centro de sua vida, mas Ele faz você sair de si mesmo, você se descentraliza e se abre para os outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Deus é o centro, mas é sempre o dom de si, o relacionamento, a vida que se comunica… Também nos tornamos assim, se permanecermos unidos a Cristo. Ele nos faz entrar nesta dinâmica de amor. Onde há vida verdadeira em Cristo, há abertura para o outro. Não há nenhuma saída de si para chegar aos outros se não for em nome de Cristo. E este é o trabalho do catequista: sair continuamente de si, vencer o amor-próprio, para dar testemunho de Jesus e pregar Jesus. Isto é importante porque é o próprio Senhor que nos leva a sair de nós mesmos.

O coração do catequista sempre vive esse movimento de “sístole – diástole”: a união com Jesus e o encontro com o outro. São duas coisas: eu me a juntar a Jesus e ir ao encontro com os outros. Se um destes dois movimentos faltar, não conseguirei mais viver. Recebe o dom do kerygma, e por sua vez, oferece em forma de presente. Esta pequena palavra: presente. O catequista tem consciência de que recebeu um dom, o dom da fé e dá-la como um presente para os outros. E isso é lindo. É puro dom: o dom recebido é um presente dado. E lá está o catequista, nesta intersecção de presente. O querigma é um dom que gera missão, que sempre empurra para além de si. São Paulo disse: “O amor de Cristo nos impele”, mas a que “nos impele”? É assim: o amor atrai e envia, leva-o a dá-lo aos outros. Nesta tensão move os corações de todos os cristãos, especialmente o coração do catequista. Todos nós perguntamos: é assim que meu coração bate: união com Jesus e de encontro com o outro? No mesmo movimento de “sístole e diástole”? Alimenta-se em um relacionamento com Ele, mas para leva-lo para os outros e não para mantê-lo para si? Vou lhes dizer uma coisa: eu não entendo como um catequista pode permanecer estático, sem este movimento, para dentro e para fora. Eu não entendo!

  1.  E o terceiro elemento é sempre nesta linha: recomeçar de Cristo significa não ter medo de ir com ele nas periferias. Aqui lembro-me da história de Jonas, um personagem muito interessante, especialmente em nossos tempos de mudança e incerteza. Jonas era um homem piedoso, com uma vida tranquila, ordeira, e isso o leva a ter seus planos muito claros e julgar tudo e todos com esses esquemas, de forma muito rígida. Tem tudo claro, a verdade é essa. É duro! Então, quando o Senhor o chama e diz para ele ir e pregar em Nínive, a grande cidade pagã, Jonas não se sente de ir lá! Mas pensa: eu tenho toda a verdade aqui! Não tenho coragem… Nínive está fora de meus planos. Fica nos arredores de seu mundo. E, em seguida, foge, ele vai para a Espanha. Ele foge, e embarca em um navio que vai para aqueles lados. Leiam o Livro de Jonas! É curto, mas é uma parábola muito informativa, principalmente para nós que estamos na Igreja.

O que nos ensina? Ela nos ensina a não ter medo de sair de nossos esquemas para seguir a Deus, porque Deus vai sempre mais além. Mas você sabe o por quê? Deus não tem medo!  Ele não tem medo! E está sempre além dos nossos esquemas! Deus não tem medo das periferias. Mas se você vai para as periferias, você vai encontrá-lo lá. Deus é sempre fiel, é criativo. Mas, por favor, não entendo um catequista, que não é criativo. E a criatividade é como o pilar do ser catequista. Deus é criativo, não é fechado, nunca é rígido. Deus não é rígido! Nos acolhe, vem até nós, nos entende. Para ser fiel, ser criativo, você tem que saber como mudar. E por que eu deveria mudar? É para ajustar-me às circunstâncias em que eu tenho que anunciar o Evangelho. Para ficar com Deus devo ser capaz de ir para fora, não ter medo de ir para fora.  Um catequista sem dinamismo acaba sendo uma estátua de museu, e temos muitos! Temos tantos!Por favor, não queremos estátuas de museu!  Gostaria de saber se alguém de vocês querem ser estátuas de museu? Alguém tem esse desejo? [Catequistas:Não!] Não? Você tem certeza? Ok. Eu vou dizer agora o que eu já disse muitas vezes, mas é o que diz meu coração. Quando os cristãos estão presos no seu grupo, no seu movimento, em sua paróquia, em seu meio, estão fechados e o que acontece conosco, acontece com tudo o que é fechado, e quando uma sala está fechada começa o cheiro de umidade. E se uma pessoa está trancada naquele quarto, fica doente! Quando um cristão fica trancado em seu grupo, na sua paróquia, em seu movimento, e permanece fechado, fica doente. Se um cristão sai nas ruas, nas periferias, pode acontecer com ele o que acontece com uma pessoa que vai para a estrada: um acidente. Tantas vezes já vimos acidentes de trânsito. Mas eu lhes digo: Eu prefiro mil vezes uma Igreja que corre o risco de acidentes do que uma igreja doente! A Igreja, um catequista que tem a coragem de assumir o risco de ir para fora, é melhor do que um catequista que só estuda, sabe tudo, mas sempre fechado: este está doente. E às vezes… É doente da cabeça.

Mas atenção! Jesus não diz: vão e cuidem-se. Não, ele não disse isso! Jesus afirmou: Vão, Eu estou com vocês! Esta é a beleza e o que nos dá força de irmos, de sairmos para anunciar o seu Evangelho com amor, com verdadeiro espírito apostólico, com franqueza e porque temos a certeza que, Ele caminha conosco, diante de nós, – o digo em espanhol-“primerea” (nos precede). O Senhor sempre é “primerea” (nos precede em primeira linha)! Até agora você já entendeu o que significa esta palavra. E a Bíblia diz isso, eu digo que sim. Eu sou como a flor da amendoeira. Por quê? Porque é a primeira flor que floresce na primavera. Ele é sempre o “primeiro”! Ele é o primeiro! Isto é fundamental para nós, que Deus sempre nos precede! Quando pensamos em ir embora, em uma periferia distante, e talvez tenhamos um pouco de medo, da realidade, Ele já está lá: Jesus nos espera no coração do irmão em sua carne ferida em sua vida oprimida, em sua alma sem fé. Mas você sabe que uma das periferias que me fazia sentir dor, acontecia na diocese que eu estava antes? Ver as crianças que não sabiam nem fazer o sinal da cruz. Em Buenos Aires há muitas crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. Esta é uma periferia! Você precisa ir lá! E Jesus está lá esperando por você, para ajudar as crianças a aprender a fazer o sinal da cruz. Ele sempre nos precede.

Caros catequistas, estes são os três pontos. Sempre recomeçar a partir de Cristo! Agradeço-lhes pelo que vocês fazem, mas principalmente porque estão na Igreja como Povo de Deus a caminho, porque vocês caminham com o povo de Deus. Permaneçamos com Cristo – unidos em Cristo – tentamos ser mais e mais um com Ele; segui-lo, imitá-lo em seu movimento de amor, caminhando ao encontro do ser humano e nós saímos, abrimos as portas. Tenhamos a audácia de traçar novos caminhos para a proclamação do Evangelho.

Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos acompanhe. Obrigado!

Maria é nossa Mãe, 

Maria sempre nos conduz a Jesus!

Vamos fazer uma oração para o outro, a Nossa Senhora.

Em seguida todos rezamos a Ave Maria cada um em sua língua e o Papa nos deu a Bênção.

 

Ä SÍNTESE APRESENTADA DO CONGRESSO INTERNACIONAL DE CATEQUESE: CATEQUISTA TESTEMUNHA DA FÉ

ROMA, 26-29 DE SETEMBRO DE 2013 

Fala de Dom Octávio Ruiz Arenas secretário do
Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização.

 

          O catecismo da Igreja Católica, fruto do Concílio insiste na Iniciação à Vida Cristã, levando em conta o primeiro anúncio num processo de verdadeira conversão. O importante é chegar à mente e ao coração do ser humano, utilizando a sensibilidade do primeiro anúncio.

          Foi expresso nas falas a importância da unidade entre Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica.

          Ajudar os catequistas a apresentar as verdades da fé, a perceber os conteúdos da fé existentes no CIC e na busca constante da vivência de um discipulado missionário a partir de Jesus Cristo.

Os discípulos de Emaús, tocados por um misterioso coração de um forasteiro leva-os a uma mudança de esquemas projetados. Como mudar nossos velhos esquemas?

          A certeza também que Deus se aproxima de nós e a Igreja nos transmite a fé (traditio-reditio) e temos a consciência de que vivemos o eu creio e nós cremos em unidade de fé com todos os cristãos.

          Importante é a convicção de que a fé é sobretudo comunicada através do testemunho.

1. A Igreja é o primeiro sujeito da fé seja para os crentes e não crentes. O lugar do catequista é para formar seguidores de Jesus.

2. Catequese não é um trabalho, mas uma missão, sempre a partir de Jesus Cristo.

              Sem medo, ir ao encontro dos outros, porque temos a certeza que Ele vai à nossa frente.

3. Catequista aprimora o espírito de oração, de generosidade e apresenta-se ser testemunha de santidade.

4. A catequese está a serviço da Palavra de Deus. O Espírito Santo é a força na comunicação da Revelação de Deus.

5. É preciso renovar as formas de comunicar a fé. Deve-se manter um equilíbrio com a multiplicidade de formas, que o mundo oferece hoje de comunicação.

6. No mundo de hoje, diante de tantos cristãos que buscam novas formas de encontro com Deus ganha importância o catecumenato batismal.

7. Hoje vivemos em uma sociedade perpassada pelo relativismo. Temos a necessidade de apresentar Jesus Cristo como a Igreja nos ensina, tendo presente a confiança em Deus, com atitudes de ardor, audácia, guiados pelo Espírito Santo.

8. É preciso que a Igreja pratique melhor a missão de proximidade com qualquer ser humano.

9. Para transmitir a verdade, deixar que Jesus abra nossos olhos.

10. A fé é um dom de Deus. A Igreja vive e sustenta este dom. Seu ambiente vital é a comunidade.

11. Ser a memória de Jesus como princípio, como argumento. A memória nos reporta ao exemplo de Maria na visita à prima Izabel.

               O Evangelho escrito é força de nossa fé.

               Não podemos esquecer da relação entre Sagrada Escritura, tradição e magistério.

12. A Tradição nos lembra que as Palavras de Jesus, são palavras de vida eterna.

13. Os meios de comunicação tentam descaracterizar a verdade. Precisamos de maior formação, estudo para conhecer a mensagem passada pelos MCS.

14. Diante de um mundo secularizado apresentar a riqueza da história.

               A catequese ao apresentar a mensagem de Jesus precisa conhecer a história que perpassa a presença de Deus nos feitos, fatos, acontecimentos realizados pelo próprio ser humano, construindo assim, a sua cultura.

            Ao término o Presidente do congresso Dom Rino Fisichella falou:

            São Francisco de Salles para recolher as crianças tocava um sino e dizia:

            “Estamos na presença do Senhor”.

            Esta frase nos lembra toda a nossa missão.

            Lembrando as palavras de Paulo VI quando estava elaborando a Evangelii Nuntiandi: “Quando for necessário a Igreja deve instituir novos ministérios” e afirmou:

“A catequese é um genuíno Ministério na Igreja. O catequista exerce este ministério em nome da Igreja.”  


Síntese feita por Irmã Marlene Bertoldi

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