Espiritualidade Missionária

Espiritualidade Missionária


“A espiritualidade é uma modalidade de vida em que a pessoa se deixa conduzir pelo Espírito Santo. Deixa-se governar por Ele. São Paulo fala de viver no regime do Espírito, que é o oposto do regime da carne (cf. Rm 8, 1-14; GI 5, 16-25). Vive no regime da carne aquele que se considera salvador de si mesmo, conta só com as próprias forças, é governado por suas paixões, pelos seus interesses. Vive no regime da carne quem se torna escravo dos bens materiais.

Para ter uma espiritualidade missionária são necessários:
Ser sempre discípulo: Antes de proclamar a Palavra, deve ouvi-Ia, assimilá-Ia, vivê-Ia. Antes de tudo, anunciar a palavra pelo testemunho.
Conformacão a Cristo: tornar-se um retrato vivo de Cristo pela santidade. Sem santidade de vida, a missão perde sua identidade: pregamos a nós mesmos e não a Cristo; anunciamos a nossa palavrae não a Palavra de Deus; fazemos proselitismo e não missão.
Vida orante: serri’ oração não existe santidade de vida. A oração é a união com Deus, aliança com Ele. A oração nos insere no dinamismo trinitário: nos dirigimos ao Pai, movidos pelo Espírito Santo. É Espírito que desperta, no coração da pessoa, o desejo de orar. Conduz o nosso colóquio com o Pai. Modela o pensamento e a afetividade do orante. Cristo, por sua vez, é o mediador da nossa oração. É ele que apresenta ao pai as nossas súplicas e intercede por nós.
Ter uma vida sacramental: Os sacramentos são sinais da graça. É pelos sacramentos, sobretudo a Eucaristia, que nos encontramos com o Cristo Vivo, fonte da missão.
Viver em comunhão: ver sempre no outro um reflexo da Trindade. Procurar sempre a própria identidade eclesial na relação com o outro e não isoladamente. Considerar-se um depositário dos dons divinos, antes de tudo, para a comunidade, para o outro. Evitar as tentações egoístas que geram divisão, brigas, arrivismos e competição.

A missão hoje se desenvolve, com muita freqüência, no contexto da civilização urbana. A cidade não é apenas um novo espaço sociocultural, mas um novo modo de viver, baseado numa nova visão do mundo, em novas formas de cultura e comunicação, em novos costumes e modelos de vida. A civilização urbana implica um novo modo de relacionar-se com as pessoas, com a natureza e com Deus. Ela tem a marca das contradições sociais. Nessa civilização, a missão não deve preocupar-se só com o religioso, mas também com a defesa da vida e da dignidade humana. Deve enfrentar o problema do pluralismo e da mobilidade religiosa, representada pelas seitas, pelos messianismos, pelos novos movimentos religiosos. Na civilização urbana, o interlocutor da missão se percebe como ser livre e autônomo. Ele se deixa convencer mais pelo testemunho de vida do que por argumentos racionais. Não só os indivíduos são destinatários da evangelização, mas também os espaços sociais onde as pessoas vivem.

Nesta perspectiva, o nosso projeto de espiritualidade e missão deve se propor:

  • Colocar nossas paróquias e comunidades em estado de missão permanente.
  • Envolver todos os agentes de pastoral, os movimentos e as irmandades com as missões oooulares através de encontros de formacão missionária.

Dom Benedito Beni dos Santos / Bispo da Diocese de Lorena – SP

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