Leitura Orante da Bíblia

Leitura Orante da Bíblia


Leitura Orante da Bíblia (Jo 2,1-12).

Preparar cenário com símbolos: pão, vinho, imagem de Maria, Bíblia, vela…

Toda a primeira parte do Evangelho de João é muitas vezes chamada de “Livro dos Sinais”. De fato, nesta parte, do capítulo 2 a 11, são contados fatos que os sinóticos costumam chamar de milagres, ou feitos maravilhosos, admiráveis, como as curas que Jesus fazia. Em João, recebem o nome de sinais.

Após o prólogo (1,1-18), inicia a primeira semana de Jesus, no Evangelho de João. Os três primeiros dias apresentam o testemunho de João Batista, que acaba provocando o seguimento de Jesus, por parte dos primeiros discípulos. No quarto dia aparece Filipe, que provoca o seguimento de Natanael.

A primeira semana de Jesus, termina com o casamento, em Caná da Galiléia (2,1), no sexto dia. É o primeiro Sinal de Jesus. De acordo com Gn 1,26-31, nesse dia, Deus criou a humanidade, à sua imagem e semelhança. Em Caná, surge a nova humanidade. A partir daí, Jesus continua sua ação em favor da vida, sinalizando o Reino, e só vai descansar na cruz, quando diz: “Tudo está consumado”, (19,3). Se no primeiro sinal são os discípulos que aderem a Jesus, no segundo são os pagãos (4,46-54), noutro, parte da multidão, etc. 

1.   A LEITURA: conhecer, respeitar, situar o texto (podem fazer este momento juntos)

a) Ler, reler, repetir frases…

b) Observar o que diz o texto.

c) Observar e perceber a dinâmica do texto: cenário, personagens, como os fatos se desenvolvem: gestos, atitudes, envolvimento de Maria, Jesus, dos discípulos e a reação dos demais participantes da festa. 

2.   MEDITAÇÃO: retomar, ruminar, aprofundar, dialogar, atualizar o texto.

Aproximar-se mais do texto, para entender  seu  sentido em si, observando estes aspectos simbólicos:

  • O casamento: símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus. Ele é o verdadeiro esposo da humanidade e selará a nova aliança, dando a vida por amor.
  • O vinho novo: Jesus. Sem Ele, a humanidade vive uma festa sem vinho;
  • Maria: símbolo da comunidade que nasce da fé em Jesus, dos seus seguidores; símbolo da nova humanidade, cuja tarefa será obedecer a Jesus e servir.
  • As talhas de pedra que serviam para ritos de purificação dos judeus: representam a Lei, são seis. Esse número recorda as festas judaicas que já não traziam o vinho bom da vida..
  • Outros.
  1. Dirigir a atenção para a presença de Maria, neste fato que marca o início da Missão de Jesus e da caminhada dos seus discípulos: A intervenção de Maria: Filho, eles não têm mais vinho. Ela é chamada por Ele de “Mulher”, algo que parece estranho. Ele diz que não chegara sua hora – o que isso significa?
  2. Trazer este texto para o chão da sua vida, da  vida da família, da comunidade: O que esta Palavra fala para nós hoje?Qual é o vinho Novo que está faltando?Quem são as Marias de hoje?…
  3. Podem refletir e aprofundar o sentido do texto, com auxílio do texto que segue..

Maria, a Mulher, a hora e a glória.

Maria é a mulher da “hora”, que faz a hora acontecer para Jesus. No Evangelho de João, se faz memória de várias mulheres. A primeira é Maria, a Mãe de Jesus, que “faz acontecer a hora”, no início da missão de Jesus, em Caná (Jo 2,1-12) e no fim da sua caminhada, aos pés da cruz (Jo 19,25-27).

Só Maria vê e observa que está faltando vinho. Maria é a mulher sensível, atenta, que provoca, chama e faz acontecer. Procura colocar o/a outro/a no centro das atenções de Jesus. O centro não é a minha hora, mas a hora concreta e atual, de quem precisa de vinho para alegrar as pessoas, a comunidade. O que determina a chegada da hora é a necessidade do outro, da outra, do povo, da comunidade, os apelos e desafios da missão.

A ação e a palavra de Maria: “Façam tudo o que Ele vos disser” (2,5) – Estas palavras têm uma grande força simbólica. Recordam a palavra de Maria na anunciação: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim, conforme a sua palavra” (Lc 1,36). Maria, não só realiza a vontade de Deus na sua vida, como também, orienta os outros a fazerem o que Deus lhes pede: “Façam tudo o que ele disser”. A perfeita discípula missionária de Jesus se torna mestra e guia, que motiva, anima e impulsiona os discípulos, no caminho do discipulado. Ela continua dizendo para nós hoje: Vale a pena seguir a seu filho Jesus, ouvir a sua palavra e colocá-la em prática, assumindo atitudes concretas de amor solidário, ternura, acolhida…

A transformação dos potes “da água da purificação”, para o vinho da festa, para a alegria de todos. Jesus é o vinho novo da nossa vida. Ele é capaz de transformar situações em que tudo parece água sem sabor, no bom vinho que traz sabor e alegria à vida das pessoas.

O resultado da ação de Jesus, com a intervenção de Maria: “Jesus manifestou sua glória e seus discípulos creram nele” (2,11). Os que seguem a Jesus, aderem sempre mais a Ele. Vão reconhecendo que Ele é o verdadeiro esposo, e, aderindo a Ele, se tornarão a nova humanidade, a esposa do Cordeiro. O número dos que aderem a Jesus e o seguem, vai aumentando: sua mãe, seus irmãos (parentes próximos) e os discípulos. 

3.   ORAÇÃO – CONTEMPLAÇÃO

a)      Olhando para Maria e olhando para mim, para nós: Qual a significado da presença de Maria nas famílias, na comunidade, na Igreja? Como ela é inspiração para a vida cristã?

b)      Escutar o que Deus tem a lhe dizer por meio desta PalavraContemplar e entrar na cena da festa, trazendo junto sua comunidade, outras pessoas, o povo de Deus com quem você trabalha. Ficar na companhia de Jesus, de Maria, e contemplar suas atitudes, perceber seus sentimentos. Deixar-se tocar por Jesus, por Maria. Entreter-se num diálogo amoroso com o Deus de Jesus, de Maria (rezar, falando de si, dos seus sentimentos, desejos; da sua comunidade, das alegrias, preocupações e sonhos da sua missão, na família, na comunidade, na catequese, pedindo, louvando, agradecendo). 

4.   COMPROMISSO

  • Maria é a discípula missionária fiel, que ouve a Palavra e a coloca em prática. É, também, aquela que hoje, continua dizendo: “Façam tudo o que Ele disser”.

* O que é preciso mudar, transformar em vinho novo na vida pessoal? E na Missão junto à família, a comunidade, aos catequizados?

  • Quais os desafios, as luzes, e apelos que emergem deste fato das Bodas de Caná, a partir do testemunho de Jesus, de Maria, dos servos, para a nossa comunidade? (Se quiser, pode anotar sua experiência, para partilhar com o grupo).
  • Conclusão celebrativa com: partilha, cantos, preces, servir, brindar e tomar o vinho.

Ir. Teresa Nascimento

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