O Caminho da Espiritualidade

O Caminho da Espiritualidade


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Moisés, “permaneceu firme, inabalável, como se visse o invisível” (Hb 11,27)

1. Leitura Orante do texto: Ex 33, 7-23

A Palavra de Deus está bem perto de ti, na tua boca, no teu coração, ao teu alcance e tu podes colocá-la em prática. (Dt 30,14). Ela aquece o coração, ilumina os olhos, e conduz os passos na direção do Projeto de Deus.

Cenário: Uma tenda armada no deserto.  Símbolos: água, Bíblia, vela, figuras da realidade do povo da Bíblia e de hoje, de pessoas em oração, frases do texto e sobre espiritualidade (Ex 33 – 34).

Motivação inicial: A Palavra de Deus é fonte de Espiritualidade. Podemos tratar o tema da Espiritualidade Bíblica, a partir da experiência espiritual de personagens paradigmáticos como Abraão, Moisés ou dos profetas. E no Segundo Testamento, a partir de Jesus, de Maria e Paulo. Tudo isso, tendo como fio condutor o chamado de Deus e a resposta do ser humano e como ponto culminante Jesus Cristo e o convite ao seu seguimento. Hoje, vamos fazer uma “vivência” ou experiência, neste sentido, por meio da LO do texto de Êx. 33,7-23 Vamos acompanhar um pouco do itinerário espiritual de Moisés, aquele que, na trajetória de sua vida, “se manteve firme e inabalável como se visse o invisível” (Hb 11,27). Ele que foi chamado por Deus a uma missão especial na libertação do seu povo e foi  chamado de ‘Servo de Deus’, a quem ‘Ele confiou seu povo’ (Nm 12,7-8).

Oração introdutória: Entrada com a vela e outros símbolos para colocar no cenário.

Mantras. Canto: O Povo de Deus, no deserto andava…; Sl 42 ou 25.

1) MOMENTO EM CONJUNTO

1. LEITURA DO TEXTO: Êx 33, 7-23

O que diz o texto em si?

– Silenciar diante da Palavra que lemos e ouvimos.

– Repetir frases, expressões, palavras mais fortes, que tocaram o coração.

– Aproximando-se mais do texto: perceber o cenário, a linguagem, a simbologia, os personagens, ações e atitudes do povo e de Moisés com Deus e com o povo.

Momento de partilha (breve momento de partilha).

2. MEDITAÇÃO

O que o texto  fala para mim, para nós hoje?

Atualizar a Palavra, trazendo o texto para a vida pessoal e comunitária, para a sua missão na família, na comunidade, na catequese…

Contextualizar o texto de Êx 33, 7-23: recordando quem é Moisés e sua experiência do chamado para a missão junto ao povo, do meio da sarça ardente (Êx  3, 1-15).

– O que chama a atenção na experiência de relacionamento de Moisés com Deus?

– Qual é sua experiência de Deus? Como você se relaciona com Ele no dia a dia e nos momentos de oração?

 

2) MOMENTO PESSOAL

MEDITAÇÃO – CONTEMPLAÇÃO – ORAÇÃO E COMPROMISSO:

  • Como Moisés, e o Servo de Deus segundo Isaías (Is 50,4-5), procure armar sua ‘Tenda Espiritual’, entrar nela, dispor-se a ouvir o que o Senhor tem a lhe dizer, por meio de sua Palavra. Invoque o Espírito Santo. Traga, para a sua oração lideranças da sua comunidade, catequizandos; apresente a Deus os desafios de sua missão como catequista; a situação da comunidade, da Igreja, do Brasil e do mundo.
  • Leia novamente o texto de Êx. 33, 7-23. Observe a familiaridade como Moisés se relaciona com Deus. A reação do povo ao observar Moisés, ao sair da tenda. Se quiser, você pode relacionar o texto lido com Ex 34, 28-35. Este texto fala que Moisés, após longo tempo de oração na presença de Deus, no Monte Sinai, voltou transfigurado, com o rosto brilhante e o povo percebeu que algo de admirável acontecera com ele.

*Depois, ler o texto que segue, para ajudá-lo/a a aprofundar a sua meditação, oração e contemplação.

A ORAÇÃO DE MOISÉS E SEUS PEDIDOS A DEUS (Ex 33, 7-23)

Moisés é chamado de Servo de Deus, a quem Ele confiou seu povo (Nm 12,7-8). Um líder tomado por uma dupla paixão: pelo Deus do povo e pelo Povo de Deus. Ele e seu povo tinham seus ‘espaços sagrados’ para a oração, no encontro íntimo com o Senhor, de modo especial, a Montanha e a Tenda da Reunião. A tenda, não era o lugar da residência fixa de Deus, mas simplesmente símbolo da sua presença constante no meio do povo. Era o ponto ou espaço do encontro entre Deus e seu servo Moisés e com seu povo (Ex 29,42-43). De modo que “aquele que tinha que consultar a Javé, saía do acampamento para a Tenda da Reunião” (33,7b). O símbolo da Tenda fala da trajetória do Povo de Deus de ontem e hoje, povo peregrino, sempre a caminho. Ao mesmo tempo, nos remete à imagem de um Deus itinerante, caminheiro e peregrino, sempre em busca do seu povo, presente e atuante na sua caminhada histórica. Era ali, que Moisés e seu povo, buscavam na intimidade com Deus, força, luz e orientação, para um discernimento acertado a respeito das decisões a serem tomadas, sobretudo nos momentos cruciais e mais decisivos da caminhada.

Moisés tem consciência de sua força e da sua fraqueza, das suas limitações. Por isso mesmo, busca força e iluminação em Deus; partilha, responsabilidades e preocupações com outras lideranças. Em momentos de desânimo, busca apoio, conforto e conselho nos amigos, nas lideranças e no povo. Na sua oração, Moisés solicita muitas coisas a Deus, como mediador que sabe das necessidades do povo. Como amigo de Deus, sabe que pode contar com seu auxílio, sobretudo nos momentos difíceis e cruciais da sua missão. Por isso, recorre a Ele com confiança, na certeza de ser atendido. Ao ler o texto que segue, observar os vários pedidos de Moisés e as respostas de Deus. Cada um dos seus pedidos está relacionado à sua missão e cheio de grandes ensinamentos:

  • Mostra-me teus caminhos (33,13). Faze-me entender teus desígnios misteriosos. Descobre-me os teus segredos, revela-me a tua vontade. É como se dissesse: Faze-me compreender a tua lógica “ilógica”, para mim. Este pedido mostra que Moisés tinha consciência de suas limitações e não sabia tão bem como e por onde guiar o povo.
  • Vem caminhar conosco (v 1). Se não vieres pessoalmente, não nos faças subir… (v 15). Subir dá idéia de um empreendimento cheio de dificuldades, obstáculos, que causa cansaço, medo. Moisés lembra do trato de Deus com ele na sarça ardente: “Eu estou com você” (Êx 3, 12).
  • Vê que esta gente é teu povo (13). Moisés tem consciência de que é apenas mediador entre Deus e seu povo, um povo dedicado a Javé, sua “propriedade exclusiva” (Ex 19,15). Povo eleito, tutelado, vinculado a Ele, por Aliança Sagrada (Ex 19-24). Deus jamais o abandonará. Moisés não faz do seu povo uma posse sua, mas vai além e permite a Israel ser livre e responsável por suas decisões e pela própria caminhada.
  • Deixa-me ver tua Glória (v 18). A experiência do “Deus vivo” da sarça ardente marcará a vida de Moisés. Freqüentemente, subia à montanha (34, 1-8) ou entrava na fenda da rocha (v 22-23), para encontrar-se com Ele. Sua união e intimidade com Deus era tão grande, que seu rosto brilhava (Ex 34, 29-.35), porque refletia o esplendor da santidade divina. Seu desejo de ver a face de Deus, parece louvável, mas encerra um engano sutil: querer percebê-lo em forma e a cores; é impossível abarcar o mistério de Deus, com o próprio entendimento. Contê-lo na própria idéia sobre ele, seria querer apossar-se de Deus. Isso o impediria de descobrir novas facetas do insondável mistério, no cotidiano da vida.

Continuar a meditação e contemplação

  1. Parar, contemplar e saborear a cena de Moisés entretendo-se com Deus, que “fala com ele face a face, como alguém que fala com um amigo” muito íntimo. Colocar-se na cena junto com Moisés e deixar-se envolver e transformar pelo toque da presença terna e amorosa de Deus.
  2. Repetir os pedidos de Moisés, como pedidos, acrescentar outros e procurar ouvir, sentir, as respostas de Deus. Como me senti fazendo parte da cena de Moisés no encontro orante com Deus?
  3. Pensar, perguntar-se:

Como eu me relaciono com Deus no dia a dia? Como rezo? O que rezo?

– O que aprendi e podemos aprender com a experiência de Moisés, para a prática e o cultivo da própria espiritualidade e para a missão na catequese?

– Que luzes, desafios e apelos despontaram para a minha espiritualidade e para a missão junto aos catequizandos, pais e comunidade?

  1. ORAÇÃO E COMPROMISSO:

O que vou dizer a Deus, em resposta à sua Palavra?

  • Você pode ‘derramar’ diante de Deus o seu coração: preocupações diante da realidade de hoje; alegrias, angústias, esperanças, interrogações, sonhos e desejos. Converse com ele como amigo que acolhe e compreende. Dialogue com ele e faça sua prece de louvor, súplica, agradecimento (se quiser, pode escrever). Se quiser, pode tomar uma frase do texto bíblico, como mantra para rezar, repetir como mantra (guardar na memória, escrever…).
  • Comprometer-se com o Deus da Palavra, respondendo às perguntas: O que este texto me sugere a mudar em minha maneira de me relacionar com Deus, no meu modo de rezar e de cultivar a espiritualidade?
  • Que compromisso vou assumir para cultivar e aprofundar a minha espiritualidade? E para favorecer aos catequizandos a experiência de encontro com Deus?
  • Se quiser, pode registrar para partilhar em forma de depoimentos, reflexão prece, símbolo: como me senti e vivenciei a experiência de intimidade e encontro com Deus a partir da experiência de Moisés? Que sentimentos, luzes, desafios, apelos surgiram?

ATENÇÃO: Você pode registrar, para a partilha: prece, depoimento; frases fortes do texto bíblico ou do texto de reflexão; trazer também, refrão ou mantra, um canto que expressem um pouco da sua experiência.

Concluir esse momento pessoal, rezando a Oração que segue.

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ORAÇÃO DO/A EVANGELIZADOR/A

Senhor, coloco-me, agora,
diante da Sarça Ardente do teu amor
e abro diante de ti, o tapete da minha vida!
Aqui estou, com minha fragilidade, pobreza,
minhas sombras e luzes! Mesmo assim, confias em mim
e me chamas a evangelizar.

Eu te agradeço, por tanto amor!
Queima em mim, tudo o que não é bom.
Fecunda meu Ser, com teu Santo Espírito,
para que minha pessoa e minha vida Te revelem a todos.
Assiste-me em minhas tristezas e frustrações!
Recebe minhas alegrias, meus sonhos,
esperanças e realizações!

Ajuda-me a ser uma bênção para todos. Amém!
(Autor desconhecido)

 

  1. PARTILHA COM O GRUPO DE FORMA CELEBRATIVA

Com cantos, depoimentos, repetição de frases do texto bíblico e do texto de reflexão, preces, símbolos. 

O QUE É ESPIRITUALIDADE?

  1. Pela fé, Moisés manteve-se, firme, inabalável, como se visse o invisível (Hb 11,27).
  2. Javé falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo (Êx 33,11).
  3. Moisés, alguém tomado por uma dupla paixão: pelo Deus do povo e pelo povo de Deus.
  4. Espiritualidade: vem de Espírito, “pneuma” que é sopro de vida que anima, dá um ardor, uma chama pela qual Deus age em nós e através de nós. (Gn 2,7).
  5. Espiritualidade é o impulso do Espírito, força que unifica interiormente, anima, dá coragem, entusiasmo e leva a agir para ser testemunhas (At 1,8).
  6. Espiritualidade é o campo da ação do Espírito Santo. É a vida segundo o Espírito; é uma maneira simples de viver deixando-se conduzir, guiar pelo Espírito Santo.
  7. É a experiência de deixar-se envolver pela nuvem, transfigurar, transformar, como pela presença de Deus, como Moisés (Êx 34,28).
  8. É a capacidade da pessoa humana de entrar e viver em  harmonia consigo mesma, com “seu mundo interior”, com os outros, com Deus, com a realidade que o cerca e com toda a criação.
  9. Espiritualidade não é algo restrito aos cristãos, nem monopólio das religiões, mas uma dimensão do ser humano (L. Boff).
  10. A Espiritualidade sustenta valores, motiva atitudes: sensibilidade, amor, compaixão, misericórdia, ternura, cuidado, capacidade de acolher e perdoar…
  11. Espiritualidade Cristã: é a experiência de fé em Jesus e adesão a ele, que se faz experiência de seguimento a Jesus Cristo.
  12. Espiritualidade cristã implica em viver na intimidade com Jesus e com Pai e deixar-se guiar pelo Espírito. Implica em assumir o estilo de vida de Jesus e continuar sua missão.
  13. Espiritualidade cristã implica em três elementos fundamentais: conversão permanente, seguimento de Jesus e intimidade com Ele.
  14.  Espiritualidade é o núcleo profundo e dinâmico do ser do catequista: suas motivações, seu ideal e utopia, seu ardor missionário, sua paixão por Jesus Cristo, contagiam os outros.

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2. A ESPIRITUALIDADE BÍBLICA E A EXPERIÊNCIA
ESPIRITUAL DOS PROFETAS

 

  1. Experiência Espiritual na Bíblia

A Bíblia é a raiz da qual brota a espiritualidade e a seiva da qual ela se alimenta. É Palavra fecundante, como a chuva que do céu desce e faz a semente germinar (Is 55, 10-11). É produtora de uma experiência vital e espiritual ou de espiritualidade e de interioridade. Ela se apresenta como texto espiritual, gerador e guia da experiência espiritual. Para a Sagrada Escritura a experiência espiritual não é uma experiência sobre Deus, mas de Deus e tem dimensão pessoal e comunitária. Experiência espiritual porque se refere à relação do ser humano com o transcendente, o absoluto, que é Deus. É Deus que, por livre e gratuita iniciativa, se comunica ao ser humano na experiência de fé, que é dom de sua parte e compromisso por parte da pessoa, em vista da comunidade e da missão.

“O itinerário da experiência espiritual bíblica está centrado em Deus, uno e trino; é uma experiência humana, radicada na história e alimentada no cotidiano das pessoas chamadas à comunhão com Deus” (Auth Romi, Vera Ivanise Bonbonato). Um princípio básico que sustenta a caminhada do povo de Deus é a certeza da presença atuante de Deus na história. A espiritualidade bíblica está centrada na Palavra de Deus, que tem como referência os protagonistas da história da salvação, na aceitação e realização do seu projeto.  Assim, podemos tratar do tema, a partir da experiência espiritual de personagens paradigmáticos como Abraão, Moisés ou dos profetas e no Segundo Testamento, a partir de Jesus, de Maria e Paulo. Tudo isso, tendo como fio condutor o chamado de Deus e a resposta do ser humano e como ponto culminante Jesus Cristo e o convite ao seu seguimento.

Destacamos aqui, de forma breve, a espiritualidade profética e concluímos, apontando para Jesus, como alguém que assumiu uma espiritualidade seguindo a tradição profética, colocando, porém, indo além, com sua própria marca. O profeta exalta a fidelidade à revelação de Deus na história. A Espiritualidade profética liga Deus e o ser humano, fé e vida, oração, ação e contemplação, mística e justiça social. Provoca o profeta a fazer uma crítica ética e teológica da realidade social, política, econômica, ideológica, cultural, ecológica, do mundo em que vive. Impulsiona todos a buscarem novas alternativas, a abrir-se ao novo. Conclama a perceber  cujos sinais da ação de Deus presentes no meio do povo. (Is 44,19). É o Espírito, aquele que faz novas todas as coisas, nos interpelando. 

  1. Algumas características da Espiritualidade Profética
  2. a) A indignação ética e a denúncia da injustiça e o anúncio de um “novo tempo”, uma nova sociedade.

Os profetas denunciam os grupos que abusam do poder político, econômico e religioso. Que exploram, desviam e enganam o povo com promessas ilusórias. Alertam contra a ideologia do sistema dominante. Assumem a defesa da vida dos pobres e marginalizados (Am 2, 6-16). Manifestam uma “espiritualidade da indignação ética” diante da injustiça, da opressão, da corrupção. São apaixonados pela causa da justiça, e do direito e pelo zelo da fidelidade à Aliança. Falam em nome de Deus e do povo oprimido, sem vez e voz.  Anunciam a vitória do direito e da justiça, de modo que os pobres não mais se sentirão envergonhados, mas terão a maior alegria diante de Javé (Is 29, 18-24). Cultivam o sonho de uma nova sociedade de justiça, paz, reconciliação (Is 65, 17-25). Hoje, Nossa luta em defesa da vida, da justiça, solidariedade, também é alimentada por uma espiritualidade e uma mística profética, marcada por uma utopia, um desejo e um sonho de justiça, amor, paz, liberdade… 

  1. b) A resistência diante dos Conflitos

Por causa de suas denúncias, o profeta entra em conflitos com muitos e atrai a perseguição por parte dos poderosos (cf. 1 Rs 19,1-2; Jr 20,1-2, etc.). A espiritualidade lhe dá forças para resistir diante da perseguição, da calúnia e até diante da morte. Em meio às situações de injustiça, opressão, incompreensão, não desistem de denunciar tudo aquilo que não está de acordo com o projeto do Deus da vida e da libertação. São capazes de cultivar a esperança em meio às situações mais dramáticas e caóticas da vida do povo. Sentem-se chamados por Deus a persistirem na luta para que a justiça e o direito seja implantados na terra (Is 42,4).

  1. c) A intimidade com Deus

Os profetas cultivam a intimidade com Deus, que desperta neles a capacidade de ter sempre intuições novas, diante dos desafios da história. E são confrontados a rever seu modo de pensar e agir, de interpretar os acontecimentos e sua imagem de Deus, como o que ocorre com Elias e Jeremias, por exemplo. Elias descobre que pode experimentá-lo também na ausência, no silêncio e no meio dos conflitos. Ao mesmo tempo, os profetas vão se deixando modelar por ele e se sentem confortados e fortalecidos, para prosseguirem na missão, com mais ânimo e coragem (1 Rs 19,9-18; Jer 20,7).

Jesus retomou a espiritualidade profética e lhe deu sua própria marca. Por isso foi reconhecido como um grande profeta (cf. Lc 24,19). Manifestou profunda indignação diante da hipocrisia dos fariseus e doutores da Lei que exigiam do povo o cumprimento de minúcias da lei, enquanto eles próprios não praticavam o principal: a justiça, a misericórdia… (cf. por ex. Mt 23,13-36 e 25, 31-46). Jesus também entrou em conflito com ricos e poderosos, fariseus, doutores da Lei, sacerdotes. Foi acusado de endemoninhado (Mc 3,22) e blasfemo (Mc 2,7). Ficou indignado diante da exploração e corrupção no templo (Mc 11,15). Na intimidade com o Pai, encontrou força para ser fiel ao seu projeto, até as últimas consequências, isto é, à morte e morte de  cruz.

Fontes

– CEBI Sul, Espiritualidade Bíblica, Boletim Nº 2, Ano 13, 1994, p. 6-9

– Auth Romi e Bombonatto I. Vera, A minha alma tem sede de Deus, Teologia da espiritualidade, Paulinas, 2013 

Trabalho em grupos (10 grupos)

GR 1: Mq 3,1-8; 7, 14-20
GR 2: Am 2, 6-16; 5, 21-25
GR 3:  Jr 7,1-11
Gr 4: . Ez 37,1-14
GR 5: Os 11,1-11; 6,6
GR 6: Is 42,1-9; 18-24
GR 7: Jr 31,1-14
GR 8: Is 49,1-16
GR 9: Jr 20, 1-13; 1, 17-19
GR 10: Is 65, 17-25

Tarefa:

  1. Ler o texto, recordar e perceber: o que o profeta denuncia? O que anuncia?
  2. Relacionando o texto com a vida e a realidade de hoje, o que temos a dizer?
  3. A partir do texto, identificar: Qual é o rosto ou a imagem do Deus no qual o profeta acredita e anuncia na sua missão junto ao povo?
  4. Escolher e preparar uma  destas formas de apresentar o resultado do trabalho do seu grupo: Cartaz, teatro, programa de TV, discurso do profeta sobre o conteúdo da sua profecia, poesia, canção, jogral, entrevista com o profeta, programa de Rádio, faixas com escritos das conclusões do grupo, monólogo do profeta frente à realidade do povo ou outra forma criativa.

Plenária: Cada grupo tem até, no máximo, 5 minutos para apresentar.

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3. EVANGELIZADORES COM ESPÍRITO

Capítulo V da Evangelii Gaudium (EG).

O Papa Francisco fala, neste capítulo do seu Documento, sobre a Espiritualidade dos Evangelizadores e Evangelizadoras. Como batizados, todos são responsáveis pela missão evangelizadora da Igreja: leigos e clero, religiosas e religiosos. E você, catequista, que tem um papel muito importante no processo de evangelização, sinta-se contemplada nestas palavras do Papa:

Seguem algumas das frases mais fortes da Evangelli Gaudium

– Dividir em 20 grupos

– Cada grupo: Ler a frase, refletir, destacar e comentar o que ficou mais forte.  

– Discutir as questões abaixo relacionando a frase com sua experiência pessoal na vivência da espiritualidade e no desempenho da sua missão, após partilhar com o grande grupo: 

  • O que lhe dá força, ânimo, entusiasmo, e sustenta no dia a dia de sua vida e da sua missão como catequista?
  • Como você alimenta a sua espiritualidade? 
  1. Evangelizadores com Espírito, quer dizer, Evangelizadores que se abrem, sem medo, à ação do Espírito Santo (259).
  2. O Espírito Santo infunde força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo tempo e lugar, mesmo contra a corrente (259).
  3. Evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras, mas, sobretudo com a vida transfigurada pela presença de Deus (259).
  4. São pessoas capazes de uma ação evangelizadora mais ardorosa, alegre, generosa, cheia de amor até o fim e feita de vida contagiante. Mas nenhuma motivação será autêntica, se não arder no coração o fogo do Espírito (261).
  5. Evangelizadores com Espírito, que rezam e trabalham, com compromisso missionário e uma espiritualidade que transforme o coração. A Igreja não pode dispensar o ‘pulmão da oração’ (262).
  6. Sem momentos prolongados de adoração, encontro orante com a Palavra, diálogo com o Senhor, as tarefas se esvaziam, quebramo-nos com o cansaço e o ardor apaga-se (262).
  7. É preciso rejeitar uma espiritualidade intimista e individualista que não combina com as exigências da caridade e impede dedicação da vida à missão (262).
  8. A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por ele, que nos impele a amá-lo cada vez mais (264).
  9. Às vezes, perdemos o entusiasmo pela missão, porque esquecemos que o Evangelho dá resposta às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos fomos criados o que ele propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno (265).
  10. O verdadeiro discípulo missionário, sabe que Jesus caminha com ele/a, fala com ele/a, respira com ele/a, trabalha com ele/a. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária ( 266).
  11. Evangelizadores com Espírito desenvolvem o prazer espiritual de aproximar-se da vida das pessoas, até descobrir que isso se torna fonte de alegria superior (268).
  12. A missão é paixão por Jesus e simultaneamente, paixão pelo seu povo. Quando paramos diante de Jesus crucificado, reconhecemos que o seu amor nos dignifica e sustenta (268).
  13. Olhando para Jesus crucificado, percebemos que seu olhar se alonga e se dirige cheio de afeto e ardor, a todo o seu povo. Ele quer servir-se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (268).
  14. Fascinados por Jesus, queremos nos inserir na vida do povo, partilhar a vida com todos, ouvir suas preocupações, alegrar-nos com os que estão alegres, chorar com os que choram (269).
  15. Às vezes, sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo prudente distância das chagas do Senhor. Jesus quer que toquemos a carne sofredora dos outros (270).
  16. Se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários. A tarefa da evangelização enriquece a mente e o coração, abre-nos horizontes espirituais, torna-nos mais sensíveis para reconhecer a ação do Espírito (272).
  17. A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, nem um apêndice. É algo que não posso arrancar de mim. Eu sou missão nesta terra e para isto estou neste mundo (273).
  18. É preciso nos considerar como que marcados a fogo para essa missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar (273).
  19. Para partilhar e doar nossa vida com os outros, precisamos reconhecer que cada pessoa é digna da nossa dedicação, não pelo seu aspecto físico, capacidade, mas, porque é obra de Deus (274).
  20. Cada pessoa é imensamente sagrada e merece nosso afeto e dedicação. Se consigo ajudar uma só pessoa a viver melhor, isso já justifica o dom da minha vida (274).

Saiba Mais…
Acesse A Carta Nº 6 da ECAM – 2016


Irmã Teresa Nascimento, iic